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“E se eu descobrir algo que não quero saber?”
O medo de começar a terapia muitas vezes não é o medo do processo — é o medo do que aparece quando se para de fugir. E esse medo, por mais real que seja, quase sempre é maior do que aquilo que ele esconde.
Há um motivo que muita gente dá para não começar a terapia e que raramente é dito em voz alta: o medo do que vai aparecer. “E se eu descobrir que é pior do que eu achava? E se eu abrir uma caixa que não consigo mais fechar?”
Esse medo é legítimo. Mas vale a pena olhá-lo de frente, porque costuma estar baseado numa ideia que não resiste a um exame mais cuidadoso: a de que existe uma versão pior sua guardada em algum lugar, esperando para surpreendê-lo.
O que já está lá não fica mais por ser visto
Aquilo que você teme descobrir já está em você. Não é a terapia que vai colocá-lo ali — ele já opera, já influencia suas escolhas, já define do que você foge e do que se aproxima. A diferença não é entre ter e não ter. É entre viver com isso sem saber e viver com isso sabendo. A segunda opção é, quase sempre, a que dói menos a longo prazo.
O que não é dito não some. Apenas age de costas para você. Colocar em palavra não cria o problema — retira dele o poder de agir às escondidas.
A caixa não se abre sozinha
A terapia não é uma arrombaria. Você não chega e tudo sai de uma vez, sem ordem nem consentimento. O ritmo é seu. O que aparece, aparece porque você pôde dizê-lo — e, geralmente, no momento em que pôde, já tinha metade do tamanho que tinha quando era só medo.
O desconhecido assusta mais do que o conhecido, mesmo quando o conhecido dói. É por isso que tanta gente fica, por anos, presa numa situação que machuca, com medo de olhar — e descobre, quando finalmente olha, que o alívio de saber é maior do que qualquer medo que tinha antes. Começar não é o risco. Continuar sem saber é.
Este texto é uma reflexão de caráter informativo e não substitui acompanhamento psicológico individual.
Se algo aqui te fez pensar, podemos começar por uma conversa.
Você me conta o que te trouxe até aqui e eu te conto quem sou e como costumo trabalhar. E, a partir daí, você poderá decidir se serei eu a te acompanhar nesse processo.