Júlia Kawano

4 min de leitura

Pensar demais é uma forma de não sentir

Analisar tudo dá uma sensação de controle. Mas há uma diferença entre entender o que se passa com você e ficar girando em torno disso.

Há quem chegue dizendo: “eu já li bastante sobre isso, já sei o que é, só não consigo resolver”. Vem com o próprio caso mapeado, com hipóteses, com uma clareza que impressiona. E, ainda assim, algo não anda.

Pensar muito costuma ser lido como uma qualidade — e é, em vários contextos. Mas o pensamento também pode virar abrigo. Enquanto se analisa, não se sente. E, enquanto não se sente, nada precisa mudar de verdade.

Ruminar não é refletir

Susan Nolen-Hoeksema, pesquisadora de Yale, dedicou a carreira a estudar essa diferença. O que ela chamou de ruminação — o pensamento repetitivo e centrado nas próprias causas e consequências do mal-estar — está associado, em estudos com acompanhamento ao longo de anos, a episódios depressivos mais longos e mais intensos. A reflexão, por outro lado, avança: ela chega a algum lugar, mesmo que desconfortável. A ruminação gira. Dá a impressão de estar trabalhando, mas é a mesma volta de sempre.

A diferença prática costuma ser essa: depois de refletir, você se sente um pouco mais leve ou mais claro. Depois de ruminar, sente-se igual — só mais cansado.

Explicar o que se sente e sentir o que se sente são duas experiências distintas. A segunda costuma ser bem mais curta e bem mais difícil.

Falar em voz alta muda o pensamento

Pensar sozinho é dar voltas dentro do mesmo circuito. Falar para outra pessoa é diferente: exige colocar em palavras, em ordem, com pausas. Muita gente escuta a própria frase pela primeira vez em sessão — e, no meio dela, para. Aquele silêncio costuma valer mais do que meses de análise interna.

Não se pede que você pense menos. Sua capacidade de análise é sua, e é boa. O que se faz é insistir, com cuidado, nos pontos em que o raciocínio corre rápido demais para não passar por perto de algo. Costuma ser ali que está o que importa.

Este texto é uma reflexão de caráter informativo e não substitui acompanhamento psicológico individual.

Se algo aqui te fez pensar, podemos começar por uma conversa.

Você me conta o que te trouxe até aqui e eu te conto quem sou e como costumo trabalhar. E, a partir daí, você poderá decidir se serei eu a te acompanhar nesse processo.

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