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Por que você sempre escolhe o mesmo tipo de pessoa
Não é azar nem coincidência. Não escolhemos quem amamos de forma aleatória — escolhemos a partir do que já conhecemos. E o que conhecemos nem sempre é o que faz bem.
“Eu juro que dessa vez ia ser diferente. E, de novo, terminei no mesmo lugar.” Essa frase já passou pela sua cabeça mais de uma vez. Começa-se a suspeitar que existe um roteiro — e, em parte, existe.
O psicanalista Jacques Lacan disse uma vez que o que se repete na escolha amorosa é o desejo do Outro — isto é, escolhemos a partir do que aprendemos, lá atrás, que amor era. Se amor, para você, veio misturado com distância, com esforço, com a sensação de ter que merecer, então é disso que o seu desejo vai atrás. Não porque você queira sofrer. Porque é o único formato que ele reconhece.
Familiar não é a mesma coisa que bom
Existe um conforto estranho em padrões que machucam. Eles são previsíveis. Você já sabe o final, já preparou o emocional para ele. O que assusta mais do que repetir o padrão é, às vezes, estar com alguém que trata bem — porque então você não sabe o que fazer, não sabe onde pisar, não sabe quem é sem o esforço de segurar a relação.
Não se escolhe repetir o que machuca. Escolhe-se o que é familiar. E familiar, quando o começo foi complicado, muitas vezes é o mesmo que difícil.
O que a análise faz com o roteiro
O trabalho não é entregar um manual do tipo certo de pessoa. É entender por que o tipo errado ainda tem tanto apelo — o que ele promete, o que protege, o que repete da sua história. Quando isso fica claro, a escolha não se torna automática. Torna-se possível. E escolher de verdade, sem estar refém de um padrão invisível, é uma das coisas mais libertadoras que existem.
Não é preciso jurar nunca mais. Basta começar a perceber, em tempo real, quando o conhecido se apresenta disfarçado de novo.
Este texto é uma reflexão de caráter informativo e não substitui acompanhamento psicológico individual.
Se algo aqui te fez pensar, podemos começar por uma conversa.
Você me conta o que te trouxe até aqui e eu te conto quem sou e como costumo trabalhar. E, a partir daí, você poderá decidir se serei eu a te acompanhar nesse processo.