Júlia Kawano

4 min de leitura

“Estou bem” é a frase que mais cala

Responder que está tudo bem tornou-se automático. Nem sempre é mentira — muitas vezes é apenas o atalho mais curto para não ter de explicar o que não cabe em palavra.

Quantas vezes por dia você diz que está bem? No elevador, na mensagem do colega, na ligação para casa, no espelho. A frase sai antes de qualquer verificação interna — e, depois de tantas repetições, passa-se a confiar nela como se fosse uma medição real.

A maioria das pessoas que procura análise não chega dizendo que está mal. Chega dizendo que está “bem, mas...”. E é nesse “mas” que mora tudo. O que vem depois dele raramente é pequeno — é só o que não teve lugar em nenhuma outra conversa.

Por que se ensaia tanto o bem

Dizer que está bem é uma forma de economia emocional. Evita a pergunta seguinte, a preocupação do outro, a sensação de estar pesando. É também uma proteção: se você admite que não está, vira assunto, vira caso a resolver, vira algo de que alguém vai querer cuidar — e talvez você não esteja pronto para ser cuidado por quem pergunta.

Há uma diferença entre estar bem e estar conseguindo. Confundimos as duas a vida inteira.

O que muda quando não é preciso ensaiar

Em sessão, o “estou bem” também aparece — e aí está. Mas aqui ninguém está esperando que ele seja verdade. Não é preciso que você esteja bem para que a conversa funcione. Na verdade, é justamente quando a frase começa a falhar que o trabalho começa.

Não se trata de aprender a reclamar mais. Trata-se de existir, pelo menos uma vez por semana, um lugar onde o custo de ser honesto é zero. Ninguém vai consolá-lo, aconselhá-lo ou consertá-lo. Apenas escutar — e, às vezes, isso já é tudo o que faltava para que o “estou bem” possa finalmente descansar.

Este texto é uma reflexão de caráter informativo e não substitui acompanhamento psicológico individual.

Se algo aqui te fez pensar, podemos começar por uma conversa.

Você me conta o que te trouxe até aqui e eu te conto quem sou e como costumo trabalhar. E, a partir daí, você poderá decidir se serei eu a te acompanhar nesse processo.

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